Minha Aurora

Meus dias passam e suas noites contam como que os últimos momentos esperando que acabe. Neles percebo que meu corpo possui limites, que ele cansa, não pára de mudar, de crescer, de sentir, de sorrir, de amar; minha mente não pára, meus desejos só aumentam, minhas paixões pelas coisas se revelam e sinto vontade de gritar.

Jamais irei acreditar em fábulas, em mentiras, na hipocrisia, na surrealismo disfarçado de arte, cultura e bondade.

Sou um tão sonhador, tão ansioso, tão veemente, que me confundo com minhas limitações e canso.

Meus olhos somente contemplaram o que meus dias alcançaram e não tudo aquilo que sonhei, busquei, lutei.

Sou tão jovem, tão pequeno, tão distante, tão carente… carente de verdade, de aventuras, de bondade, de humanidade, de pessoas… de gente.

Me sinto diante de um infinito, distante, complexo, misterioso universo de elucubrações, de loucuras e de paixões, que me arrastam e tentam me afastar de quem sou.

As vezes nem sei o dizer, a quem correr, recorrer, me apoiar, para onde fugir, me ocultar, nem o que fazer.

Queria ver o dia nascer, não apenas por fazer, mas para ter sentido e saber do que vale realmente viver, e que possa sentir que tudo o que faço não terá sido mais um dia em vão e sem razão.

Quero olhar nos olhos desta aurora incansável que permuta dias incontáveis desde os mais escuros abismos desta humanidade sofrida e cansada e que agora eu também faço parte, e quero vê-la despontar, se erguer, brilhar… e aprender dela a ter forças, recomeçar.

Quero questioná-la, quero saber, quero ouvir, respostas quero ter.

Seu silêncio me confunde, me angustia, me revolta. Como consegue encher-me com tantas coisas que ainda nem sei como fazer, e que obrigam a ser, e no outro dia simplesmente manifestar sua beleza silenciosa e nos colocar de volta no mesmo lugar contando instantes, minutos, horas, constantes, nos fazer cansar.

Talvez eu nem a veja novamente, mas tudo o que quero é vê-la e saber que suas consequências em mim não terão sido reflexos de sua monotonia algoz e inquietante, maldosa e constante de um nada obstante.

Quem sabe um dia, outro dia, uma hora, por um minuto, um instante, eu a veja, minha aurora, e terá sido outrora, nada mais que um simples, recomeçar…